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Porque Jesus desceu

Porque Jesus desceu
Porque Jesus desceu
 

Em Mateus 5, Jesus apresenta os fundamentos do Reino de Deus por meio do Sermão do Monte. Ele fala sobre identidade, santidade, oração, relacionamentos, ansiedade, justiça e confiança no Pai.

Porém, tão importante quanto aquilo que Jesus ensinou no monte é o movimento que Ele realizou depois da mensagem.

Jesus desceu.

“E, descendo ele do monte, seguiu-o uma grande multidão.”
Mateus 8:1

Esse movimento revela o coração do Evangelho. Jesus não permaneceu no alto, distante das pessoas, observando o sofrimento de longe. Ele desceu em direção aos cansados, rejeitados, enfermos e esquecidos.

Nós estamos aqui porque Jesus desceu.
 

O Reino acolhe pessoas reais
 

Antes de iniciar o Sermão do Monte, Jesus esperou que Sua audiência estivesse completa.

Mateus 4 mostra quem estava diante Dele: pessoas enfermas, oprimidas, perturbadas, paralíticas e profundamente marcadas pelo sofrimento.

Não era um auditório formado por reis, autoridades ou pessoas consideradas importantes pela sociedade. Era uma multidão de gente ferida, cansada e rejeitada.

Foi olhando para essas pessoas que Jesus declarou:

“Vocês são o sal da terra.”

E também:

“Vocês são a luz do mundo.”

Jesus não disse que elas seriam sal e luz somente depois que estivessem completamente restauradas, organizadas e sem problemas.

Ele declarou quem elas eram enquanto ainda carregavam suas dores.

Isso acontece porque Deus não nos enxerga apenas a partir da nossa condição atual. Ele nos vê a partir da nossa origem e do propósito que colocou sobre nós.

Muitas vezes, tentamos editar nossa história. Escondemos os momentos difíceis porque acreditamos que Deus somente nos chamou quando já estávamos preparados.
 

Mas Deus nos encontrou quando ainda estávamos quebrados.

Ele nos chamou em nossa pior versão.

Nossa história não é motivo de vergonha. Ela é uma evidência da graça de Deus.
 

A identidade vem antes da transformação
 

Jesus primeiro declarou a identidade daquela multidão e depois começou a ensinar como ela deveria viver.

Essa ordem é importante.

Nós não somos amados porque conseguimos mudar. Mudamos porque fomos alcançados pelo amor.

Não nos tornamos filhos depois que organizamos nossa vida. É por sermos recebidos como filhos que encontramos força para abandonar a antiga maneira de viver.

Jesus olhou para Pedro depois de sua negação e não começou enumerando seus erros. Ele perguntou:

“Tu me amas?”

Cristo não ignorou o que aconteceu, mas também não definiu Pedro por seu pior momento.

Deus conhece nossa origem.

Ele sabe quem somos antes mesmo de conseguirmos enxergar isso.

Por isso, não devemos olhar para as pessoas apenas a partir do estado em que elas se encontram. Um marido difícil, uma esposa ferida, um filho rebelde ou uma pessoa distante de Deus não deve ser definida somente pelo momento que está vivendo.

O Reino nos ensina a enxergar com os olhos da graça.
 

Não somos a fonte, somos o canal
 

No Sermão do Monte, Jesus também nos ensina a amar nossos inimigos.

Humanamente, isso parece impossível. Não existe em nós amor suficiente para amar todas as pessoas, especialmente aquelas que nos feriram.

A resposta está em compreender que não somos a fonte.

Somos apenas canais.

Não brilhamos porque somos a fonte da luz. Brilhamos porque estamos conectados Àquele que é a verdadeira luz.

Da mesma forma, não amamos nossos inimigos pela força da nossa própria bondade. É o amor de Deus passando por nós que nos capacita a amar.

Quando entendemos isso, o peso diminui.

Não precisamos produzir aquilo que somente Deus pode gerar. Precisamos apenas permanecer conectados à fonte.

É por isso que Jesus nos orienta a entrar no quarto, fechar a porta e acessar o lugar secreto.

Estar dentro de um quarto não significa necessariamente estar no secreto. O secreto é um ambiente de relacionamento, intimidade, humildade e entrega.

É ali que aprendemos a orar:
 

“Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome.”

A oração começa com o Pai, não com nossas necessidades.

Ela começa com santidade, não com pedidos pessoais.

Antes de pedir qualquer outra coisa, reconhecemos:

“Senhor, coloca Tua santidade em minha mente, em minhas palavras, em meu coração, em minhas atitudes, em minha casa, em meu casamento, em meu trabalho e em meu ministério.”
 

O Pai conhece nossas necessidades
 

Jesus também percebeu a ansiedade presente no coração das pessoas.

Por isso, perguntou por que estavam tão inquietas e com a mente tão dividida.

A ansiedade fragmenta nossa atenção. Estamos em muitos lugares ao mesmo tempo e não conseguimos permanecer completamente presentes.

Jesus então aponta para as aves do céu e para os lírios do campo.

As aves não plantam nem armazenam, mas o Pai as alimenta.

Os lírios não trabalham para produzir sua beleza, mas são vestidos pelo próprio Deus.

Se o Pai cuida das aves e das flores, quanto mais cuidará de Seus filhos?

Por isso, Jesus declara:
 

“Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

O Pai sabe exatamente do que precisamos.

A prioridade não é perseguir todas as coisas. A prioridade é buscar o Reino.

Quando o Reino ocupa o primeiro lugar, nossa vida começa a encontrar ordem, direção e propósito.
 

O movimento de Jesus é de descida

Depois de concluir o Sermão do Monte, Jesus não permaneceu no lugar mais alto.

Ele desceu.

A fama de Jesus estava se espalhando. Multidões queriam vê-Lo. Ele poderia permanecer no alto, cercado pelas pessoas e pela admiração pública.

Mas Seu movimento sempre foi de descida.

Mesmo sendo Deus, Ele não se apegou à Sua posição. Deixou Sua glória, assumiu forma humana e veio habitar entre nós.

Depois de pregar no monte, continuou descendo.

Na parte mais distante daquela multidão, havia um homem com lepra.

A lepra representava exclusão, distância e rejeição. O leproso precisava avisar as pessoas sobre sua condição para que ninguém se aproximasse.

Ele era excluído até mesmo entre os excluídos.

Mas, quando viu Jesus descendo, decidiu se aproximar.

Talvez tenha pensado:

“Se Ele desceu, eu também vou.”

O homem caminhou até Jesus, prostrou-se e declarou:

“Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.”

Ele reconhecia que, segundo as regras de seu tempo, não tinha o direito de estar ali. Sabia que ninguém costumava olhar, aproximar-se ou tocar alguém em sua condição.

Mesmo assim, adorou.

A lepra não o impediu de se prostrar.

Sua condição não conseguiu impedir sua adoração.
 

Adorar limpo é melhor
 

A história do leproso também nos mostra que uma pessoa pode continuar frequentando ambientes de adoração enquanto ainda carrega áreas que precisam ser tratadas.

A lepra não impediu aquele homem de adorar. Porém, Jesus não queria apenas receber sua adoração. Queria também purificá-lo.

Podemos aprender a conviver com determinadas feridas, pecados e limitações. Podemos até continuar cantando, servindo e participando das celebrações.

 

Mas Jesus deseja nos limpar.

Adorar enquanto estamos feridos é possível.

Adorar depois de sermos restaurados é ainda melhor.

O homem não exigiu nada. Ele apenas declarou sua fé:

“Se o Senhor quiser, pode me limpar.”

Jesus estendeu a mão, tocou nele e respondeu:
 

“Quero. Seja limpo.”

O movimento de Jesus não terminou na descida do monte.

Ele continuou até alcançar o homem que estava no último lugar.
 

A Palavra não volta vazia
 

Jesus é a Palavra viva.

Isaías declara que a Palavra que sai da boca de Deus não volta vazia. Ela cumpre o propósito para o qual foi enviada.

Isso significa que o movimento de Jesus continua.

Ele continua se movendo em direção às casas, famílias e circunstâncias que parecem não possuir solução.

A Palavra não volta vazia.

Quando Jesus entra em uma casa, leva vida.

Quando entra em uma família, leva esperança.

Quando toca uma situação, começa um processo de restauração.

Talvez você esteja atravessando uma circunstância que parece distante demais de Deus. Talvez existam áreas em sua família que parecem perdidas ou impossíveis de alcançar.

Mas o movimento de Jesus continua.

Ele está se movendo em sua direção.
 

Ele desceu até nossa dor
 

Jesus desceu até o leproso.

Desceu até o centurião.

Desceu até a mulher que sofria havia muitos anos.

Desceu até a mulher rejeitada pela sociedade.

Desceu até a samaritana.

Desceu até Lázaro.

Desceu até o cego Bartimeu.

Desceu até a viúva de Naim.

Jesus sempre se moveu em direção às pessoas.

A mensagem do Evangelho não é sobre nossa capacidade de subir até Deus. É sobre o Deus que decidiu descer até nós.

Há muitos anos, uma família atravessava uma crise extrema, marcada pelo desespero e pelo risco de morte. Em meio àquela situação, uma mensagem transmitida pelo rádio alcançou aquela casa.

Uma oração foi feita, a presença de Jesus trouxe esperança e aquela família foi conduzida a uma nova história.

O menino que presenciou aquele momento cresceu com um desejo: anunciar a outras pessoas que Jesus ainda desce até as casas.

O movimento não parou.

Jesus continua alcançando famílias.

Continua entrando em ambientes de desespero.

Continua levando luz onde parecia existir apenas escuridão.
 

Venha para a mesa
 

A Ceia do Senhor é uma prova do movimento de Jesus.

Não fomos nós que alcançamos Deus por nossa própria capacidade. Foi Cristo quem deixou Sua glória e desceu para nos reconciliar com o Pai.

Seu corpo foi entregue.

Seu sangue foi derramado.

A mesa não é uma recompensa para pessoas perfeitas. É um lugar de graça para aqueles que reconhecem que precisam de Jesus.

Talvez alguém pense que não é digno de se aproximar.

Mas ninguém se aproxima porque merece.

Nós nos aproximamos porque Ele desceu.

O mesmo Jesus que tocou o leproso continua dizendo:

“Venha.”

Venha para a mesa.

Venha comer.

Venha beber.

Venha receber graça.

Venha encontrar reconciliação.
 

Por que você está tão longe?
 

O leproso estava no último lugar daquela multidão. Mesmo assim, quando viu Jesus descendo, decidiu se aproximar.

Por que você está tão longe?

Talvez esteja esperando o momento certo para voltar a Deus.

Talvez pense que precisa primeiro organizar sua vida, vencer seus erros e corrigir tudo sozinho.

Mas você não precisa esperar o momento perfeito.

Jesus já desceu.

Se você se afastou, volte para Jesus.

Se nunca entregou sua vida a Ele, entregue agora.

É simples dizer:

“Jesus, eu entrego minha vida ao Senhor. Tudo o que há em mim Te pertence. Eu escolho Te amar e confiar no Teu amor por mim.”

Ele já fez a parte mais importante.

Deixou Sua glória.

Desceu até nós.

Entregou Seu corpo.

Derramou Seu sangue.

E continua se movendo em direção à nossa casa e à nossa família.
 

O movimento continua
 

Jesus não voltou vazio depois de descer do monte.

Ele encontrou o leproso e o restaurou.

A Palavra de Deus continua cumprindo Seu propósito.

Por isso, podemos confiar que o movimento de Jesus ainda acontece.

Ele está se movendo em favor da sua casa.

Está se movendo em favor da sua família.

Está alcançando seus filhos.

Está entrando em circunstâncias que pareciam impossíveis.

Nós escolhemos confiar no Seu amor.

Escolhemos confiar no Seu sangue.

Escolhemos confiar em Sua graça, que não tem fim.

Você está aqui porque Jesus desceu.

E o movimento de Jesus ainda não terminou.

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