O retrato do Reino
O Reino de Deus não é apenas uma ideia que defendemos. É uma realidade que precisa ser vista em nossa maneira de viver, falar, servir e nos relacionar com as pessoas. Durante o Sermão do Monte, Jesus apresentou um retrato claro da cultura do Reino. Ele não estava em um grande auditório, cercado por pessoas importantes ou poderosas. Estava em um monte, ao ar livre, diante de uma multidão formada por pessoas cansadas, enfermas, oprimidas, rejeitadas e esquecidas pela sociedade.
Foi olhando para essas pessoas que Jesus declarou: “Bem-aventurados.” Nos dias de Jesus, essa expressão normalmente era usada para descrever pessoas ricas, influentes e privilegiadas. Porém, Jesus olhou para os pobres de espírito, os que choravam, os mansos, os misericordiosos, os perseguidos e aqueles que tinham fome e sede de justiça e afirmou que eles eram bem-aventurados. Antes de falar sobre aquilo que o Reino realiza, Jesus mostrou quem o Reino acolhe.
O Reino de Deus começa quando conseguimos enxergar as pessoas que o mundo prefere ignorar. Jesus recebeu os enfermos, os oprimidos, os paralíticos e todos aqueles que carregavam dores profundas. Ele não esperou que primeiro estivessem completamente restaurados para reconhecê-los. Deus nos vê até mesmo em nossa pior versão e continua sendo capaz de declarar quem somos. O estado em que uma pessoa se encontra não determina sua identidade. O que a define é aquilo que Deus declara sobre ela. Por isso, o Reino não é apenas sobre conquistas, posições ou reconhecimento. É sobre acolhimento, misericórdia e a capacidade de enxergar o outro com os olhos de Jesus.
Vocês são o sal da terra
Depois das bem-aventuranças, Jesus afirmou: “Vocês são o sal da terra.”
Ele não disse que aquelas pessoas se tornariam sal depois de alcançarem determinada posição espiritual. Ele declarou que elas já eram sal. A identidade vem antes da função. O sal, naquele tempo, não servia apenas para temperar. Ele era utilizado para preservar os alimentos e impedir que a carne apodrecesse. Isso significa que somos enviados para ambientes nos quais a corrupção, a dor e a destruição estão tentando avançar. Não fomos chamados para nos misturarmos com aquilo que está apodrecendo, mas para impedir que o processo de destruição continue. A presença de um cidadão do Reino precisa fazer diferença. Quando as pessoas se sentem completamente confortáveis para continuar praticando aquilo que é contrário à vontade de Deus perto de nós, precisamos avaliar se ainda estamos manifestando o sabor do Reino. O sal não precisa chamar atenção para si mesmo, mas sua presença sempre pode ser percebida.
Vocês são a luz do mundo
Jesus também declarou:
“Vocês são a luz do mundo.”
Nas casas simples dos dias de Jesus, normalmente havia apenas um cômodo. Uma única luz era suficiente para iluminar toda a família.
Se aquela luz fosse apagada ou escondida, todos permaneceriam no escuro.
Essa imagem revela a responsabilidade que carregamos dentro de nossa casa. Quando nossa luz não brilha, nossa família pode perder a direção. Quando vivemos de maneira coerente com o Evangelho, mostramos o caminho e revelamos a presença de Deus.
A luz não pode ser escondida.
Uma cidade construída sobre um monte é vista de longe. Ela oferece direção e mostra aos viajantes o caminho que devem seguir.
Da mesma forma, nossa vida precisa apontar para Deus.
Jesus ensinou:
“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus.”
A luz não brilha para produzir nossa própria glória. Ela brilha para que o Pai seja conhecido.
Um sim claro e um não verdadeiro
A cultura do Reino também pode ser vista em nossa integridade.
Jesus ensinou que nosso “sim” deve significar sim e nosso “não” deve significar não.
Quando precisamos explicar excessivamente nossas decisões, palavras e comportamentos, pode existir um problema de integridade.
O Reino de Deus é percebido na clareza da nossa palavra, na maneira como tratamos nossa família, na forma como cumprimos nossos compromissos e na coerência entre aquilo que pregamos e aquilo que vivemos.
Não basta falar sobre a cultura do Reino. É necessário manifestá-la.
O mundo precisa reconhecer em nós uma vida de verdade, mansidão, misericórdia, justiça e paz.
A Igreja é o retrato do Reino
A Igreja de Jesus é aquilo que o mundo consegue ver da cultura do Reino de Deus. O Reino se torna visível quando acolhemos quem foi rejeitado, quando preservamos ambientes da corrupção, quando iluminamos nossa casa e quando vivemos com integridade.
Não somos apenas defensores de uma doutrina. Somos representantes de um Reino.
O Evangelho precisa nos confrontar, nos tirar da zona de conforto e despertar em nós uma oração sincera:
“Jesus, perdoa-me. Ensina-me a melhorar. Transforma minha vida e faz-me mais parecido contigo.”
Nunca houve um tempo em que o mundo precisasse tanto de cidadãos do Reino de Deus.
Nossa família precisa de uma luz acesa.
Nosso trabalho precisa do sabor do Reino.
Nossa cidade precisa enxergar a cultura de Cristo através de nós.
O Reino de Deus não é apenas uma ideia.
É aquilo que pode ser visto em nossa vida.
Seja sal.
Seja luz.
Brilhe onde Deus colocou você.