O vaso precisa estar vazio
Mantenha a vasilha vazia
Em Lucas 4, Jesus relembra a história da viúva de Sarepta. Havia muitas viúvas em Israel durante o tempo de seca, mas o profeta Elias foi enviado a uma mulher estrangeira, na região de Sidom.
Essa declaração incomodou profundamente aqueles que estavam na sinagoga. Eles conheciam a história, mas não compreendiam que o favor de Deus não está limitado a uma estrutura religiosa, a um povo ou a quem acredita merecê-lo.
Deus procura pessoas que permaneçam vazias e famintas por Sua presença.
A história começa em um dos períodos mais difíceis de Israel. O rei Acabe e Jezabel haviam afastado a nação do Senhor e estabelecido o culto a Baal. Elias, então, declarou que não haveria chuva sobre a terra.
A seca atingiu toda a região, inclusive o próprio profeta.
Algumas vezes, aquele que entrega uma palavra também precisa atravessar o cenário anunciado por ela. Elias declarou a seca, mas também precisou aprender a depender da provisão diária de Deus.
O Senhor poderia sustentá-lo de muitas maneiras. Poderia enviar maná, levá-lo a uma casa rica ou protegê-lo em um lugar confortável. Porém, Deus o enviou para Sarepta, justamente a cidade de origem de Jezabel, sua maior inimiga.
Deus escondeu Elias debaixo do nariz de quem desejava destruí-lo.
Existem momentos em que perguntamos por que Deus ainda nos mantém em determinado lugar ou situação. Porém, aquilo que parece um ambiente de ameaça pode ser exatamente o lugar onde o Senhor está nos protegendo.
Ao chegar à entrada da cidade, Elias encontrou uma viúva recolhendo dois gravetos. Ela não estava preparando alimento para vários dias. Aqueles gravetos seriam usados para uma última e pequena fogueira.
Elias pediu água e, depois, um pedaço de pão.
A mulher respondeu que possuía apenas um punhado de farinha e um pouco de azeite. Ela prepararia uma última refeição para si e para seu filho. Depois disso, esperaria a morte.
Ela não estava tentando emocionar o profeta. Estava apenas apresentando a realidade de sua casa.
A morte daquela família estava medida em um punhado de farinha, um pouco de azeite e dois gravetos.
Muitas pessoas também vivem contando seus últimos recursos. Olham para a conta bancária, para os documentos, para os resultados médicos, para o casamento ou para os projetos e concluem que não existe mais uma saída.
É justamente diante dessa realidade que a Palavra de Deus se manifesta:
“Não temas.”
Antes da situação impossível, Deus libera uma palavra de esperança.
Elias ensinou àquela mulher um princípio da economia do Reino: Deus não multiplica aquilo que tentamos controlar. Ele multiplica aquilo que entregamos.
Nossa segurança não está no que conseguimos guardar, proteger ou administrar. Nossa segurança está naquilo que colocamos nas mãos do Senhor.
É melhor ter pouco nas mãos de Deus do que possuir muito sem Sua presença.
Elias pediu que a mulher preparasse primeiro um pequeno pão para ele. Depois, faria para si e para o filho. Não era uma atitude de crueldade, mas um convite para confiar na Palavra de Deus acima da realidade visível.
A promessa foi clara:
“A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a terra.”
Deus não prometeu que a seca terminaria naquele mesmo dia.
Ele prometeu que, enquanto a seca permanecesse, haveria provisão diária dentro daquela casa.
Todas as manhãs, a mulher voltaria à panela e encontraria farinha. Todos os dias, encontraria azeite na botija.
Talvez não houvesse abundância para armazenar, mas haveria o suficiente para continuar.
Esse é um dos modos como Deus trabalha. Nem sempre Ele nos retira imediatamente da seca ou do deserto. Algumas vezes, Ele entra nesse lugar conosco e garante a porção necessária para cada dia.
O milagre não estava em uma despensa cheia. Estava na fidelidade de Deus renovada todas as manhãs.
A orientação era simples: mantenha a vasilha vazia.
Uma vasilha cheia de controle, orgulho, autossuficiência e religiosidade não possui espaço para receber. Deus multiplica aquilo que é derramado diante Dele.
A vasilha vazia representa fome, dependência, entrega e reconhecimento de que tudo vem do Senhor.
Sarepta significa um lugar de fogo, uma fornalha. A viúva estava atravessando uma fornalha de escassez, dor e incerteza. Porém, Deus não a abandonou naquele lugar.
A fornalha é o ambiente onde o ouro é purificado. Deus nem sempre nos tira imediatamente do fogo, mas entra nele conosco e remove tudo aquilo que impede uma fé verdadeira.
Por isso, não precisamos fingir nossa fé.
Podemos apresentar sinceramente ao Senhor aquilo que temos:
“Senhor, isto é tudo. Amanhã eu não sei como será, mas hoje eu entrego em Tuas mãos.”
Aquela mulher não entregou o que estava sobrando. Ela entregou aquilo que possuía e confiou na palavra liberada por Deus.
Talvez a seca ainda dure um pouco mais. Talvez o deserto não termine imediatamente. Mas o Deus que esteve em Sarepta continua entrando nas casas e sustentando Seus filhos.
Amanhã haverá farinha e azeite.
No dia seguinte, haverá farinha e azeite.
A provisão de Deus estará presente em cada etapa, até que a chuva volte a cair.
O Senhor não prometeu transformar imediatamente a viúva em uma mulher rica. Ele prometeu que não faltaria o necessário.
Existe uma provisão que não produz ostentação, mas sustenta a vida.
Existe um cuidado diário que talvez não seja percebido pelos outros, mas demonstra que Deus continua presente.
O favor do Senhor não é sobre quem acredita merecer. É sobre quem permanece vazio, disponível e com fome de Sua presença.
Mantenha sua vasilha vazia.
Entregue ao Senhor seu culto, sua adoração, suas lágrimas, seus recursos e seus últimos gravetos.
A seca pode continuar por algum tempo, mas Deus entrará nela com você.
A farinha não acabará.
O azeite não faltará.
E, no tempo certo, voltará a chover.